quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Um Rolé pela Lapa.

São 23h30min de uma noite de sábado e não encontrando solução para a confusão de pensamentos que povoam minha mente decido assim me aventurar em uma caminhada até a Lapa, pé que não anda não toma topada, de Santa até lá é um pulo. Chegando à Lapa me deparo com uma mistura de tribos que impressiona a qualquer olho menos acostumado. São moradores de rua amontoados em baixo dos arcos assistindo os turistas e cariocas de todas as zonas e classes da cidade se misturarem às prostitutas, malandros, rastafáris, rockers, emos, moleques cheirando cola, salseiros, a galera do samba, crianças vendendo chiclete, travestis, vendedores de cerveja, caipirinha, cigarros, red -bull com wisks não muito confiáveis, cachorro-quentes (os já famosos podrôes da lapa), psicotrópicos e muito mais. Ufa! Tudo isto misturado com diversos ritmos, estilos, cores e odores, putz!!
Casas como Circo Voador, Fundição Progresso, Teatro Odisséia, Cine Lapa, Carioca da Gema, Brasil Mestiço, Democráticos... juntas com uma dezena de barzinhos para todas as classes, fazem da Lapa o lugar mais procurado pelos baladeiros de plantão. Que caldeirão cultural do caralho!!! Andando pelas ruas não dá para discerni que tipo de música está tocando, de vez em quando se ouve uma risada mais alta ou uma freada brusca, não conheço nenhum kaos mais organizado.
Não tendo encontrado nenhum rosto amigo decido voltar para casa, afinal de contas, nem para uma cerveja eu tinha. Pego então a Mens de Sá e sigo até um pouco antes da praça da cruz vermelha onde pego uma transversal chamada Rua dos Inválidos. Inválidos é o Caralho! Volto e pego outra chamada Resendes e logo depois estou na Riachuelo, atravesso a rua e dou inicio a escalada de Santa através da Rua Monte Alegre (nome que sempre me pareceu muito apropriado para Santa Teresa). Na verdade a caminhada não serviu lá pra muita coisa, novamente em casa, me pego pensando em como me dar bem no Rio. Enquanto isso, agora em minha pequena varanda que dá para a Comunidade da Mineira, a fumaça do meu cigarro se mistura com os tiros, risadas e os sons da noite embalados pelo Blue -Line do Massive que emana dos fones do meu disc-man.

2 comentários:

Mago disse...

O Fabio me contou muito da onde voce ta morando.. e mencionou a mistura da Lapa.. gostei de suas palavras.

Forte Abraço

Augusto Magao//

Fabio Tihara disse...

A Lapa é realmente um lugar democrático, onde todas as tribos se misturam...belo texto Cabral e parabens pela iniciativa!!!