domingo, 20 de setembro de 2009



“Como é rica essa terra. Cada Estado com suas características e, quando vistas de mais perto, estas ainda podem desdobrar-se em outras mil. Brasil, tens assuntos e lugares para várias vidas de estudo”.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Vixe maria!

Tava aqui remexendo uns arquivos e quando me deparei com a foto dessa obscenidade de iguaria baiana fiquei salivando que nem um cachorro enquanto observa o frango girando na maquina de assar. Queria muito pegar uma condução agora e descer lá no posto 12 de Itapoâ, me encontrar com minha amiga Sheila, e ir direto na Cira comer um super Acarajé apimentado com bastante camarão e salada. Hummm. Acreditam que quando eu fecho os olhos consigo sentir até o cheiro do vatapá? Vixe!
Por estar tentando aqui decifrar a autora desse Acarajé acabei sendo tomado por uma dúvida gastronômica cruel: Me encontro dividido entre o Acarajé da Dinha, no Rio vermelho, e o da Cira, em Itapoâ. Bom, quem já teve a oportunidade de provar o acarajé dessas duas baianas e tem a mania de guardar detalhes pode até reconhecê-lo. Deixo aí essa foto para mexer com a imaginação e o estômago de vocês.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Selarón e suas negras grávidas


E no terceiro dia se fez o homem

O que diferenciava Jonas dos demais meninos da comunidade era o fato dele não se sair muito bem em nenhum dos esportes praticados pelos garotos e ter chegado aos 13 anos sem nunca ter beijado uma única garota, tornando-se assim alvo de grande gozação até mesmo por parte dos mais velhos. Todos brincavam, mas não passava disso, brincadeiras. Todos sabiam que foi graças ao Jonas que os dois filhos mais novos da comadre Sebastiana não foram surrados pelos pivetes da rua do sebo. A estória de que, com seu canivete, havia enfrentado sozinho os pivetes para defender seus colegas se espalhou pelo bairro fazendo com que a maioria dos moleques da comunidade o admirasse e respeitasse por isso.
Nas tardes em que não era obrigado pela mãe, zefa, a estudar para as provas da escola, Jonas, junto com Naldinho e Iracildo, seus dois grandes amigos, se enfiava dentro da mata em busca de frutas e aventuras, do cheiro do mato, do gosto doce das águas dos rios que cercavam sua comunidade. Sempre faziam isso quando, depois do almoço, sentiam-se entediados pelo sol da tarde. Era como se a única opção fosse fugir para a mata, descer suas ribanceiras, pegar suas frutas, pescar seus peixes; correr pelas bancadas de areia com a maré seca, meter fundo o braço na lama em busca dos caranguejos que lá se escondiam.
Eram assim, eram meninos homens, cheio de pequenas sabedorias, sabiam das chuvas, dos ventos, conheciam as marés, sabiam quando eram olhados com maldade, a reconheciam a tempo de cuspirem no chão e partirem para briga ou fugirem dela. Conheciam como poucos os buracos da cidade e corriam feito meninos loucos através dos sítios e quintais, pelas trilhas feitas na mata pelos caçadores, pescadores, candomblezeiros. Descobriam os melhores jenipapos, jacas, mangueiras, quase nunca voltavam com as mãos vazias. Mesmo sujeitos às quase sempre severas surras de seus pais nunca desistiam de se aventurar e sentiam-se orgulhosos ao entregar os peixes e caranguejos pegos, tornando-se assim Meninos-Homens, co-responsáveis pela sobrevivência da família.
A maioria das crianças do bairro ou já tinha largado a escola ou nunca a havia frequentado, em vez disso, com cestos nas pequenas cabeças, vendiam pães e temperos pelas ruas do bairro. Muitos deles iam todos os finais de semana para feira da cidade onde podiam ganhar alguns trocados como flanelinha, cometendo pequenos furtos ou transportando os carrinhos de mâo carregados com as compras das senhoras de volta as suas casas. No dia seguinte acordavam cedinho para levarem seus pássaros para foguear no mato, penduravam as gaiolas em alguma cerca ou galho mais baixo e ali permaneciam até o sol ficar mais forte, comentando as aventuras passadas, imitando o canto de alguns pássaros, subindo em árvores como macacos e lagartixas e de lá avistando a cidade na outra margem do rio enquanto sonhavam com os anúncios televisivos que começavam a entrar na maioria dos lares. Não demoraria muito até eles se arriscarem pelo mundo em busca de seus falsos sonhos.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Respeitável público!

No ultimo dia 12 fui convidado por um amigo a assistir um debate, que aconteceria na lona cultural do projeto Crescer e viver, entre o ministro da cultura e representantes de alguns importantes movimentos culturais da cidade. Saímos de Santa e fomos de bicicleta até a praça onze. Chegando lá percebi que a galera estava bem animada com a idéia de se reunir com as autoridades culturais, assinei meu nome numa lista de presença e logo depois passamos a fazer parte da muvuca organizada. Meninos e meninas do projeto Crescer e viver aproveitavam para apresentarem as técnicas circenses que eram desenvolvidas na lona cultural e, misturados a diversos outros atores do picadeiro, emprestavam um tom lúdico ao debate facilitando assim uma maior aproximação dos que por ali passavam.

Estavam presentes no centro do picadeiro o ministro Juca Ferreira, alguns secretários de cultura, representantes da Unesco, Funarte, Alerj, Câmera dos deputados, Câmera dos vereadores e, na parte dos movimentos culturais cariocas, estavam representantes do Teatro de Anônimo, Intrépida Trupe, Crescer e Viver, Off-Sina, As Marias da Graça, Irmãos Brother's, A Cena da Cidade, ONG´s, e diversos circos tradicionais. O debate estava bem equilibrado. De vez em quando um palhaço passava na arquibancada vendendo pipocas e doces variados. Tinha uma barraquinha vendendo algodão doce também, só faltaram as maças do amor. O ministro Juca Ferreira ia respondendo às perguntas e explicando a necessidade do apoio popular para aprovação na mudança da lei Rouanet. "Só assim o Brasil poderia assistir uma democratização na distribuição equitativa das verbas destinada ao setor". Segundo números do IBGE, usados muito bem no evento, mais da metade dos 1,3 Bilhôes do orçamento anual ficam com a região sudeste. 14% dos brasileiros vão ao cinema, 92% nunca entrou em um museu, 93% nunca foi a uma exposição de arte e que 3% dos agentes culturais que tem acesso aos incentivos detém mais da metade de todo o dinheiro. Nas palavras do ministro, “estamos vivendo uma verdadeira apartheid cultural, é um jogo de cartas marcadas! Temos que acabar com esse negócio de que as empresas só investem em projetos que tenham retorno de marketing. Se elas quiserem fazer marketing que façam do seu próprio bolso! O dinheiro da renuncia fiscal é um dinheiro público e tem que ser usado de forma pública, o que está acontecendo é uma privatização do dinheiro público" concluiu Juca ferreira.

A discursâo estava muito boa, achei muito importante a parceria entre o ministério da cultura e o IBGE, fantástica! Fica muito mais fácil produzir um plano nacional dessa forma. Mesmo estando todos muito animados com o encontro não era difícil perceber na plateia a descrença no governo. Do meu lado um grupo de alunos da escola nacional de circo aplaudiram quando se falou em maiores verbas. Logo depois era vez do pessoal do teatro e assim o espetáculo ia chegando ao fim. Depois de me despedir dos conhecidos peguei minha Bike e durante o percusso de volta pra casa nâo me saia da memória a imagem onde as autoridades políticas estavam no picadeiro e os movimentos culturais na política. Nada mal né...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Papo de amigo



Quando criei este blog imaginei poder assim estar dividindo com os amigos e, os que por acaso passassem por aqui, um pouco de meu dia a dia, as músicas que estavam fazendo minha kbça, os assuntos que estavam me interessando, minhas alegrias, angustias. Queria que este espaço substituísse a necessidade de se ter um Orkut ou facebook, matando assim um pouco da vontade de se estar próximo daqueles que gosto, das nossas rodas de bate papo. Uma das mais importantes coisas do mundo são as amizades. Que graça teriam as aventuras, os dramas, os filmes, as músicas, o por do sol... se não existisse alguém para dividir? Para mim seria insuportável. Deve ter sido insuportável para o músico Nick Drake, seu suicídio deve ter sido ocasionado, alêm das super dosagens de anti depressivos, por todo aquele frio e cinzento inverno Londrino, pela agonia de não ser compreendido, pela falta de bons amigos. Diferente de Hendrix, Morisson, Jane, Cobain e outros mais, Drake suicidou-se por não terem compreendido a profundidade de sua obra. Que Pena, poderia ter fugido para o Brasil e casado com uma linda Baiana antes de irem morar juntos na Chapada Diamantina. Todos deviam ter um plano de fulga, se nada der certo eu... O que não faltam são cenários novos.
Com uma bela voz e acompanhado de seu inseparável violão o tímido Drake criou lindas e melancólicas harmonias sendo as dos discos Bryter layter e Pink Moom as que mais tem feito a minha kbça.
Em vez de postar os seus discos prefiro dessa vez lhes informar como encontrar esta e muiiiiiitas outras discografias. Basta vcs irem nesse link http://superdownloads.uol.com.br/download/85/mtorrent-(utorrent)/ e baixarem o softwear utorrent para seu computador. Depois de instalado basta entrar nesse site http://www.mininova.org/ e escrever o nome do que vc está procurando. O mininova é um excelente buscador e disponibiliza um considerável arquivo de musicas, filmes, softwear, livros, imagens, games, antivírus... Acho que é um bom começo, mais pra frente vcs vão acabar encontrando outras referências como os blogs (http://sacundinbenblog.blogspot.com/, http://www.capsuladacultura.com.br/blog/, http://ouro-de-tolo.blogspot.com/, http://ladrolama.blogspot.com/, http://finoelegante.blogspot.com/) e novos buscadores de conteúdo, derrepente cheguem até a criar um blog para disponibilizar, através do http://www.rapidshare.com/, os seus achados. Espero poder assim estar ajudando a ampliar a sua playlist e a democratizar um pouquinho mais o espaço virtual. Como dizia lá em Ilhéus o trio Matheus, Rubinho e Wilfredo: A curiosidade é a grande parada!
Divirtam-se.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Teoria da Libertaçâo.


"A IGREJA MENTE, É CORRUPTA, CRUEL E SEM PIEDADE, Deus não é um objeto, não é uma entidade, é uma suprema paixão, suprema energia, o que os gregos de uma maneira genial disseram e eu gostaria de dizer, porque ela está presente em nossa língua, que é a palavra "entusiasmo". Em grego, entusiasmo significa ente os mos "ter um Deus dentro". Então, todo o entusiasmo é a essência da vida, é a energia que faz a vida viver" (Leonardo Boff).

Pimenta: José Walter Bautista Vidal



Para uma minoria pode até parecer óbvio, repetitivo ou que até mesmo estâo cansados de saber o que esse Físico aposentado anda dizendo por aí. Para mim nunca é pouco repetir palavras como essas, quem sabe assim virem moda e se popularizem pelo país. Com este intuíto disponibilizo aqui um link para a o site da revista Caros Amigos onde se encontra, entre outras, uma das mais esclarecedora entrevista que lí. Nela o Professor Bautista Vidal lança uma luz para aqueles que se interessam pelo país e que se sentem carentes de uma boa explicaçâo acerca dos obstáculos que nos impedem de ser uma grande naçâo. Depois, para os que curtirem o entrevistado, experimentem colocar o nome do Professor Vidal no google e descubram um pouco mais do curriculo desse Baiano.


Revista Caros Amigos-- Você vai sair desta entrevista com a cabeça cheia de interrogações, a par de acachapado. O físico e engenheiro José Walter Bautista Vidal, conhecedor, como pouquíssimos, do chão, da gente, do poder (ele esteve lá) e dos problemas brasileiros, faz afirmações impressionantes. Com números, mostra que o Brasil só não é uma grande potência porque não quer. Que o Brasil está cada vez mais à mercê dos especuladores internacionais porque quer. Que é dependente por escolha dos que o governam. Que a moeda que circula no mundo é falsa, não passa de papel pintado, e os países desenvolvidos estão à beira da falência. Que a era do petróleo — energia que move o mundo — está com os dias contados e eles não têm alternativa a não ser se apropriar das fontes energéticas que a natureza legou a outras nações. E a mais rica delas todas, disparadamente, é o Brasil, "porque foi premiado com um reator a fusão nuclear particular — o sol, que é a grande fonte de todas as formas de energia usadas pelo homem até agora e dentro de bilhões de anos". E o Brasil, como "grande continente tropical do planeta", terá por isso um poder inimaginável, "desde que conte com dirigentes à altura desse papel histórico". Sim, porque o que determina os rumos da história é a política. E esse físico e professor tem a cabeça política.

sábado, 9 de maio de 2009

Fragmentos: O mundo de Helena

Manoel Carlos imortalizou as Helenas através de suas novelas amarradas nos dramas da classe média carioca e, com a desenvoltura de mestre da teledramaturgia que possui, ele ajudou a popularizar o nome e símbolo Helena pelos quatro cantos do Brasil. Saíram do anonimato as Helenas das feiras populares, as que vendiam cosméticos de porta em porta, as que não perdem uma feijoada com samba e uma cervejinha gelada nas tardes quentes das comunidades por onde moram. Näo podemos esquecer tambem das Irmâs Helenas que oram ajoelhadas pelas igrejas desse imenso Brasil. Dona Helena, Leninha, Lucia helena, Lena, as variacôes nâo sâo poucas. Ontem a tarde eu estava no posto 9 da praia de Ipanema e, depois de dar algumas voltas pela praia tentando vender as palhas italianas que ha dois anos comercializo ali, entre os postos 9 e 11, sentei para descansar um pouquinho e curtir o fabuloso final de tarde que estava acontecendo. Fiquei ali sentado por meia hora observando, entre outras coisas, os outros vendedores indo e vindo tentando conquistar o seu tão questionado sustento. A cinco metros de mim uma criança tentava vender seus chicletes para três adolescentes que estavam se bronzeando. Dessa vez a criança não teve muita sorte e quando já ia seguindo para a próxima abordagem eu assobiei para que ela viesse até a mim. Tentei por três, quatro e quando quase já desistindo ela finalmente escutou e, depois de me localizar, veio devagarzinho até mim. “Oi tio, vai querer um chiclete? compra aí pra mim ajudar!". Iniciamos uma conversa e aos poucos ela foi me contando um pouquinho da sua vida.
Seu nome era Helena, tinha 9 anos e não se lembrava desde quando estava vendendo na praia. perguntei se estava sozinha na praia e me respondeu que sim e depois que não, devia estar me estudando, parecia estar acostumada àquelas perguntas. "Minha mãe mora lá na Rio Branco" falava. Eu conheço pouco o Rio e pelo pouco que sei as únicas pessoas que moram na rio Branco dormem na rua. "...ela dobrou duas vezes essa semana”. Perguntada sobre o que fazia com o dinheiro das vendas ela, entre risos, conta que gasta com comida. Peguei uma das minhas palhas de chocolate e lhe ofereci, ela adorou e enquanto lambia os dedos sujos contava-me que gastava quase todo dinheiro que ganhava com biscoitos, ela amava biscoito, e o que sobrava ela dava para a mãe. Mais para frente ela me segredou que tambem amava tomar banho de praia e que sua mãe chamava-se Lucia Helena e que, alem dela, tinha mais um irmão de 11 anos chamado Tiago. Contou-me que antes moravam na Jerusa, ¨nunca ouvi falar de nenhuma comunidade com esse nome" brinquei com ela. Ela sorriu e mudando de assunto me perguntou por quanto eu vendia minhas palhas e quem as fazia. Achou caro quando lhe disse que custavam 2 reais cada, "com dois reais eu compro um pacote de biscoito". Brincava.

Ficamos ali por uns 40 minutos conversando sobre um monte de coisa e quando perguntada sobre o pai e a escola ela sempre fugia do assunto e falava sobre outras coisas. No final nos despedimos e continuamos na praia tentando vender os nossos doces. Helena ta sempre por lá junto com muitas outras crianças, muitas delas mais nova que ela, torcendo para vender seus chicletes de 1 real e para que outro "Gringo", como ela mesma costuma repetir, lhe dê 30 reais como no dia anterior. Pobre Helena, será que já ouviu falar em Manoel Carlos?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Zietgiest; Addendum


Os poucos que me conhecem sabem do meu gosto por teorias da conspiração e a minha crença em outras respostas. Pois mês passado meu brother Daniel Ernesto, mais conhecido por Chicho chochin, me passou esta super película que andou pertubando o sono de muita gente por onde passou. Não resistindo à vontade de dividir esta teoria com mais pessoas posto abaixo um link do youtube onde contem 12 partes legendadas deste documentário que tem causado o maior frisson no mundo dos apaixonados por teorias. “Zeitgeist: Addendum” é a prova de que o que separa os mundos paralelos é somente a versão dada a cada história. Divirtam-se e morram de raiva com o jogo daqueles que acreditam serem os donos da verdade.

http://www.youtube.com/view_play_list?p=3636496CF2812BB2&search_query=zeitgeist

Site Oficial
http://www.zeitgeistmovie.com/

Fragmentos

Um dia desses estava esperando o bondinho para subir Santa Teresa quando percebi três garotos, entre aproximadamente 09 e 12 anos, sentados num cantinho do abrigo. Eles estavam descalços e as poucas roupas que vestiam denunciavam o total abandono a que se encontravam. Enquanto cochichavam alternavam momentos de lucidez com loucura e, da ponta do lençol que um deles trazia enrolado ao corpo, inalavam um pouco mais do mundo mágico proporcionado pela cola de sapateiro, droga comum entre os moradores de rua. Em alguns momentos um deles levantava e apontava para algo que só para sua imaginação existia, às vezes dava socos no ar, conversava e dava risada, depois se entristecia voltando a sentar-se com os demais para inalar um pouco mais daquela alegria fugaz. Fiquei do meu cantinho observando-os por meia hora enquanto constatava a existência de mundos paralelos; As pessoas que, assim como eu, também estavam esperando o bonde, não se incomodavam com a situação, olhavam para as crianças e através delas. Aquilo já fazia parte do cotidiano da maioria deles, acreditavam nada poder fazer e aos poucos iam transformando estes sobreviventes em figuras invisíveis, perceptíveis somente aos olhos, mas não ao coração.
Assisti há algum tempo um documentário chamado Janelas da Alma onde, entre outros narradores, José Saramago chamava a atenção para as maneiras como o mundo se apresenta ao individuo. Ele explicava que os olhos eram janelas da Alma e que existia uma diferença muito grande entre Ver e Enxergar. Enquanto via-se com os olhos enxergava-se com o coração...
No momento em que estava lembrando dessa passagem novamente outro dos meninos levantou-se e, olhando para os cabos elétricos que conduzem o bonde, os apontava repetindo que estes se mexiam. Eu já não sabia, devido a tamanha convicção com que este insistia, se era pelo efeito da cola ou se era verdade. Então demorei os olhos por alguns segundos nos cabos e acabei percebendo que estes, quase imperceptivelmente, se mexiam. Seria eu que estava vendo coisas agora? Um minuto depois escutei o bonde aproximando-se. Os meninos aprenderam a identificá-lo a quase 1 km de distancia. Tendo finalmente chegado ao ponto o bonde parou e em meio aos que subiam e desciam dele os três novos passageiros procuravam as melhores posiçôes para fazer a pequena viajem por cima dos Arcos da Lapa até a estação carioca. E assim o Bonde partiu lotado de turistas e moradores, entre desconfiados e piedosos, e alguns metros depois ainda escutava-se o sorriso dos três novos tripulantes em meio aos flashs das câmeras fotográficas daqueles que muito viam, mas pouco enxergavam.

domingo, 3 de maio de 2009

Billie Holliday: Remixed and Reimagined


Para encerrar a sessão remixes desta temporada disponibilizo agora o álbum Remixed and Reimagined. Este disco serve muito bem para os que sempre acharam que Amy Winehouse tinha sido a precursora de um estilo e estava no topo da lista das grande jazzistas. Divirtam-se com a voz e o estilo de Billie Holliday trazida para os tempos atuais através do bom gosto de alguns músicos.



http://rapidshare.com/files/228906401/Billie_Holiday_-_Remixed___Reimagined__2007___192kb_.rar.htmlMD5: 159995BB41971A09623B20838CBFCA8D

Uma homenagem às nossas emissoras que tanto deserviço tem nos prestado.



Imagem retirada do blog Atuleirus.weblog.com

Ulysses: Frans Ferdinand Remixes





Como havia prometido anteriormente disponibilizo aqui agora esse disco Remix do Frans Ferdinand. Em seu terceiro álbum a banda escocesa liderada pelo vocalista Alex Kapranos sempre fez bom uso de instrumentos eletrônicos e nessa remixagem postada aqui fica ainda mais claro a vibe dançante do grupo, divirtam-se.




Em busca dos sonhos



Há muito que queria aqui escrever alguma coisa relacionada ao surf, esporte que, com muito pouca desenvoltura, pratiquei por longos cinco anos de minha vida. Quando tento me recordar da primeira vez que tomei um banho de praia me vem logo à memória algumas fotos junto com meu primo Flávio e minha mãe Dona Bete. Eu e ela havíamos acabado de chegar de são Paulo e até aquela data eu devia conhecer praia somente por filmes ou desenhos animados. Aquela ida a ilhéus foi tão importante que acabou comprometendo a minha volta à Sampa e toda a minha história. Naquele verão Dona Bete voltou sozinha para a capital e alguns meses depois eu completaria seis anos. Meus avôs, tios e primos me receberam com muito amor e sempre que possível com algum deles eu ia até a praia. Dois anos depois minha mãe voltou e junto com a família que mais tarde formamos praias desertas e pescarias passariam a fazer parte de nossas rotinas. Freqüentávamos as areias mais desertas de ilhéus, era o máximo, muitas das vezes que lá estávamos a chuva me presenteva com sua presença, sempre amei estar na água quando estava chuvendo, nunca consegui traduzir em palavras esta sensação, era como se naquele momento tudo estivesse conectado, terra, agua o ar. Era mágico.
Em uma dessas pescarias me enganei quanto a profundidade e se não fosse por um surfista e sua prancha talvez eu tivesse morrido. Ele me colocou em cima de sua prancha e me levou até minha mãe e meu padrasto. Nunca vou me esquecer deste dia, me sentir flutuando sobre a água mudou profundamente a minha relação com a vida e com o mundo, daquele dia em diante as ondas passariam a ser objeto de busca dos meus olhos curiosos. Passado um tempo me juntei com alguns amigos da comunidade onde morava e depois de, escondidos de nossos pais, ter-mos pego uma carona numa caçamba, chegamos até uma praia onde o surf era a bola da vez. Continuei frequentando a praia do Marciano durante anos. Quatro anos depois, agora com 16 anos, comprei minha primeira prancha e me aventurei nas ondas do havaizinho (Um dos melhores picos de surf que já surfei). Lembro de minha primeira onda no retâo e de minha primeira parede numa onda muito longa na praia do São Miguel. Fiz diversos amigos no meio do surf e passei a frequentar as ondas maiores das praias do norte da cidade. Podia chover, trovejar que eu estava lá! Esse era meu lema. Passava na casa de Alan baratinha ou na de Fábio marques e com nossas bicicletas arapongas mutantes pegávamos o rumo do norte e lá permanecíamos boa parte do dia, na maioria das vezes à base de pão, tubaína e muitas ondas. O melhor de tudo era estar dentro do mar com os amigos, não tinha graça surfar sozinho, precisava de um cúmplice para as desastradas manobras. Nesse período conheci Fabio e Dennis Tihara e logo nos tornamos parceiros das melhores aventuras de surf. Dona Toshico, sua Mãe, sempre me convidava para almoçar com eles me permitindo assim fazer o surf no final da tarde. De nossa galera o que mais surfava era o Dennis, o mais novo, o muleque espancava as ondas, sempre quebrava nos free surf e não demoraria muito a se consagrar na cidade, no estado e logo em seguida, no Brasil. Enquanto estávamos surfando nas ondas ilheenses e descutindo as mil e uma direcôes que os filmes de surf poderiam tomar, ele já estava embarcando para vários picos nacionais e, para a nossa alegria e para consagrar a sua saga, acabaria sendo convidado junto com outras promessas do surf brasileiro para fazer uma temporada no Havaí, Meca do surf.
Ele sempre foi o que mais continha o espírito do surf, amava fazer o que fazia e lutava com toda sua garra na tentativa de entrar para a primeira divisão do surf mundial. Ficávamos todos muito felizes quando o víamos dando entrevistas tanto para TV, rádios e revistas especializadas, era como se nossa galera estivesse sendo alí representada. Dennis passou bons anos no surf, conseguiu bons patrocínios, fez diversas surf trips, foi feliz e nós também, afinal ele era todos nós. O surf, como em qualquer esporte, exige resultados e a pressão dos patrocinadores se faz presente nas ameaças de finalização de contratos. Dessa forma muito bons atletas acabam entrando em fases ruins comprometendo assim todos os seus sonhos, esse foi o caso dele. Devido a pressão para que se tornasse o tão esperado super atleta e à falta de boas condições de surf ele foi aos poucos perdendo suas vantagens não demorando muito a se encontrar sem patrocínios. Dalí em diante teve que se esforçar muito para se reencontrar em seu mundo, não deve ter sido fácil. Dona Toshico foi importantíssima nesse processo, nunca deixou de acreditar nos sonhos do filho, o apoiando com muito amor e muitas vezes até mesmo se endividando para patrociná-lo em algumas competições. Com muita perseverança, e tambem depois de ter trabalhado junto com sua mâe por um ano no Japão, Dennis Tihara juntou forcas e dinheiro para embarcar para o Hawai, lugar onde se encontra a quatro meses surfando e se preparando para voltar à elite do surf brasileiro, lugar que para muitos ele nunca saiu. Do Hawai ele já engatou viajem para o Tahiti e de lá registrou os finais de tarde mais lindos que já vi, deve ter sido momentos como esses que o fizeram olhar para dentro de si e encontrar forcas para continuar lutando. Boa sorte meu brother. Boa sorte em sua caminhada. A sua luta acaba sendo a luta de toda criança que tem um sonho e o quer muito realizar. Estaremos aqui torcendo para que vc se encontre em sua busca, um grande abraço desse parceiro aqui para voce e para toda os amigos que fizemos através do surf. Aloha

Vou deixar aqui o link para o Blog do Dennis Tihara para que vcs possam acompanhar as estórias de suas surf trips podendo assim entrar um pouquinho mais no cotidiano desse atleta pelos lugares paradisíacos que ele vai conhecendo pelo mundo.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Daft Punk- remixes


Dando continuidade às versões remix e a vibe dançante da semana disponibilizo agora um disco remix bem legal do Daft Punk que encontrei na rede. O album possui 10 faixas sendo algumas delas assinadas por músicos gabaritados como os irmãos do The Chemical brothers, Scott Grooves, Frans Ferdinand e outros mais. Em breve estarei postando três músicas do Frans Ferdinand que, ainda nâo sei por quem, foram remixadas produzindo um material no mínimo curioso.
Até breve.

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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Kraftwerk in The mix version



Pois então, estava dando uma vasculhada em meus arquivos e encontrei esse disco remix bem legal do Kraftwerk. Passei um boa parte da noite escutando a discografia deles e no final acabei percebendo uma semalhança muito grande entre todos discos, os caras passaram os últimos 20 anos remasterizando shows e refazendo o disco The man Machine. Sâo tantas versões que num momento já nâo coseguia diferenciar um disco dos outros. Tenho a impressâo de que musica é momento, talvez essa semana eu esteja para coisas mais dançantes, com uma linha, já quase na barreira do pop. Entre os 23 discos do kraftwerk que estavam em meus arquivos somente um me chamou a atençâo no momento e é exatamente esse que estou aqui disponibilizando para os que, assim como eu, estejam tambem curtindo essa vibe, abraço.




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TigaElectro






Tiga é o nome artístico do DJ/produtor nascido em Montreal Tiga James Sontag. Seu álbum Sexor ganhou o Juno Awards 2007 por Álbum Dance do Ano.


Carreira


Ele se formou na Selwyn House School, uma prestigiada escola em Westmount. Antes de produzir música, ele promovia raves em sua cidade-natal durante o início dos anos 1990. Tiga também ajudou na criação do mundialmente famoso clube SONA. Em 1994, ele abriu uma loja de discos chamada DNA Records, e em 1998 fundou sua própria gravadora, Turbo Recordings.



Tiga é muito conhecido por suas remixagens:


Tomas Andersson - Washing Up
Scissor Sisters - Comfortably Numb
Felix da Housecat - Madame Hollywood

Também é conhecido por seus covers:

Nelly - Hot in Herre
Corey Hart - Sunglasses at Night

Ele produz seu próprio material, e também já trabalhou com Zyntherius, Richard X e Jake Shears. Freqüentemente colabora com Mateo Murphy e Jesper Dahlbäck. Tiga também é amigo de Steph e David Dewaele, que produziram cerca da metade das faixas do álbum de estréia do Tiga, Sexor.


Discografia

Álbuns
2006: Sexor

Compilações de remixagens

1998: Montreal Mix Sessions Vol. 1
2000: Mixed Emotions: Montreal Mix Sessions Vol. 5
2002: American Gigolo
2002: DJ-Kicks: Tiga
2005: INTHEMIX.05

Singles
2001: Sunglasses at Night
2002: TGV EP
2002: DJ-Kicks Promo
2003: Running out of Time EP
2003: Hot in Herre
2003: Burning Down the House
2004: Pleasure from the Bass
2005: Louder than a Bomb
2005: You Gonna Want Me
2005: Good as Gold
2006: (Far From) Home
2006: 3 Weeks
2006: Move My Body




Aê galera, se acaso quiserem mais informacöes sobre o Tiga vâo lá na página de seu my space ou na Wikipédia, enderecos de onde tirei estas informacôes. Sastifazendo o pedido do parceiro do blog Finoelegante, Fábio Tihara, postei aqui na barra lateral do blog um link do rapidshare para um outro disco muito bom chamado Tiga-Essential, espero que curtam, abraco.

http://www.myspace.com/officialtiga

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tiga


fragmentos

Esse mês passei por duas situaçôes que me renderam duas estórias muito boas para serem contadas aqui, no blog desse urbano alvo cabral. Sabiam que na Bahia cabral é um gíria utilizada quando se trata de medo? Pois é, cabral é derivado de cabreiro, outra palavra que tem o mesmo significado. Então, a melhor traduçâo da expressão alvo cabral é alvo com medo, cabreiro das mil e umas tretas que acontecem na cidade. É exatamente esse o tema dessa estória que tenho para contar. Acontece que quando se vive em situaçôes extremas o individuo acaba sendo obrigado a desenvolver uma certa malícia, uma manha, os códigos que o permitirá sobreviver nesse mundo de cão que muita vezes se tornam as periferias. Pois muito bem, achava eu que por ter crescido em comunidades nada tranquilas do interior da Bahia sabia identificar qualquer tentativa de ser passado para traz, ou de ser metido (gíria que significa ser roubado), e com essa malícia poderia transitar por todos os lugares . Nesses dois anos que moro no Rio tentaram me roubar somente uma vez e, mesmo assim, desenrolei com o moleque que acabou desistindo, dei sorte. Pois no sábado passado acordei cedinho e fui dar um rolé com minha namorada numa feira de velharias que acontece na praça XV para ver se encontrava alguma coisa retrô e barata que nos interessasse. Pegamos um micro-ônibus em Santa e quando descemos no Castelo, zona central do Rio, logo depois de atravessarmos duas ruas, fomos abordados por um cara que afirmava estar com uma arma por baixo da camisa. " Perdeu! Perdeu cumpade! Passa tudo que tá na sua bolsa e num conversa muito não!" Na hora fomos meio que pegos de surpresa, quando eu o vi já estava muito próximo de nós. Na hora foi isso mesmo que falei pra ele: " pô irmão, você me deu até um susto, quê que tá pegando? Pô que parada é essa aí de perdeu parceiro, eu tô aqui mais duro que você!" O cara, meio sem saber o que fazer, botou um dos braços em meu ombro para que os policiais que estavam passando na viatura não percebesse o assalto. Nessa hora ele quase me matou com seu insurpotável bafo de cachaça, putzz!! Minha namorada percebeu que eu estava desenrolando e adiantou um pouco os passos, afinal, ela estava com toda nossa grana, e nâo era pouco, naquela manhâ havíamos saído com a intençâo de pagar algumas contas. O cara já nâo sabia se estávamos juntos ou nâo. Nesse momento ele me pediu que lhe desse o que tinha na carteira. Eu, já disconfiando da inexistência de uma arma, atrasei um pouco o passo e lhe respondi brincando que quando visse quanto eu tinha na carteira ele iria até dar risada. E foi isso mesmo o que aconteceu, naquela manhã havia me restado da noite anterior apenas 2 reais na carteira e quando ele confirmou este fato, reclamou: " ... que porra é essa, tu tá com 2 reais na carteira, tá de sacanagem comigo! Abri os outros bolsos aê!". Eu abri todos os bolsos da carteira e ele constatou me esculanchando que isso era tudo o que eu tinha. Então ele pegou os dois reais e me soltou, logo depois atravessou a rua de volta sei lá pra onde, menos de um minuto e o cara já tinha sumido. Meio não acreditando no que havia acontecido peguei na mâo de minha gata e fomos em direcâo a feira da praça XV. "Dessa nós escapamos." brincava. Ela estava mais assustada que eu, precisava de uns minutos para se recompor. Chegamos à feira e, depois de uma meia hora de cara com todas aquelas antiguidades sendo vendidas ali, percebi que alguém me abraçou, era o mesmo cara! " Porra, vc de novo!" falei. O cara, num tom super malandro me falou baixinho: " Eu tô ligado que a grana estava com a gata, nessa vc se deu bem". da mesma forma que apareceu sumiu entre a multidão. "Caralho, que porra é essa!". Olhei em volta pra ver se ele estava nos observando. Nada dele, era como se estivesse em algum lugar a nos observar. Compramos algumas bugigangas baratas e de qualidade e na volta até o ponto de ônibus para Santa Teresa passamos perto de um prédio onde encontrava-se uns 10 a 15 moradores de rua, percebí que dois deles nos olhava enquanto conversavam com outros. Maria já ia atravessando a rua que dava acesso ao prédio quando eu a alertei disfarcadamente do perigo que seria passar por lá. Continuamos andando pelo canteiro que separavam as duas pistas e quando nos aproximamos do ponto atravessamos a rua. Tivemos sorte que o ônibus estava passando naquele exato momento. Demos a mão e, uma vez sentados, ficamos pasmos com o fato de alguns dos caras que estavam em baixo da marquise estarem nos dando tchau. Meu Irmão!! Virou brincadeira, nunca me senti tão seguro como dentro daquele ônibus.

sábado, 25 de abril de 2009

Ridemypony




Então galera, blz! Estou postando o endereço desse fotógrafo Iuguslavo chamado Charles Bodi para que vocês também possam curtir o seu ponto de vista. Ele consegue como ninguém registrar a passagem do tempo de forma a nos propor enxergar beleza onde para muitos só existem escombros. Se acaso não estiverem conseguindo entrar em seu site vcs podem utilizar o link que postei na barra lateral do blog. Divirtam-se...



http://www.flickr.com/photos/charlesbodi/

sexta-feira, 24 de abril de 2009


Um olhar.




"Pé que não anda não vende". Essa foi uma das observacôes feita por Jandira, mâe de cinco filhos, descendente de pataxós e moradora de uma pequena casa dentro de uma área indígena situada na costa do descobrimento, no trecho entre Caraívas e Ponta do Corumbal. Ela afirmava que chegava a andar por dia cerca de 30, 50, 80 km para tentar vender em Trancoso, Praia do Espelho, Arraial e Porto Seguro os artesanatos que ela e suas filhas produziam. "...e se agente não fizé isso agente passa fome, aqui tudo precisa do dinheiro e a coeita aqui num é muito boa, a terra aqui é de areia. Boa é as terras lá pra traz, onde tem aquele monte de eucalipto plantado". Repetia Jandira referindo-se as plantacôes de eucalipto da Aracruz celulose que beiravam quase toda faixa costeira daquela região, no horizonte não era difícil avistar o grande muro verde. Enquanto passava a linha por mais uma semente ela me dizia que alí era uma casa de mulheres trabalhadeiras e tentava me explicar o porque há dois meses não ia a cidade vender. Mostrando sua perna direita me dizia que teve um dia que seus pés começaram a desenvolver umas espécies de Bolhas e assim que essas iam estourando nasciam feridas que deixavam a pele lateral dos calcanhares em carne viva impedindo-a de promover qualquer caminhada. Quando procurou os médicos estes a informaram se tratar de bactérias que desenvolvem-se nas areias quentes e escura que fazem parte dessas regiões próximas ao mar. As caminhadas através das picadas até as cidades eram quase sempre pela areia quente beirando as praias e, devido a repetiçâo longa e diária desse hábito pelos moradores dessas regiões, fica-se mais sujeito a este tipo de contaminacâo". A informou o doutor. "...depois ele me receitou uma pomada e por dois meses eu conseguir pegar de graça no posto, mas esta semana meu marido passou lá duas vezes e eles disseram que nâo tinha. A pomada custa 40 reais e se o senhor puder comprar alguma coisa pra poder me ajudar..." E assim Jandira ia me convencendo quando derrepente percebi que uma criança estava atrás da cortina nos espiando, era uma menina de uns 3 a 4 anos e parecia um bicho do mato de tão desconfiada que era, ficamos ali conversando e por uns 40 minutos ela continuou lá nos espiando através de uma brecha na cortina.
Tentei puxar um papo com ela e nada, nenhuma das minhas tentativas estava dando certo, entâo me lembrei que havia comprado alguns biscoitos da ultima vez que tinha passado por um vilarejo e com eles, só com eles consegui fazer ela sair do quarto. Aos poucos fui convencendo-a aceitar alguns em troca dela me dizer seu nome, era lindo vê-la ali pertinho. Os biscoitos ela aceitou mas seu nome foi a mãe quem me disse, chamava-se Adriele e era a caçula de seis filhos. Enquanto ela comia timidamente me olhava e baixava a cabeça de novo, era como se nós fossemos algo estranho, ela devia imaginar que éramos bichos da cidade, estranhos.
Acabou que compramos alguns brincos e colares da Jandira, deixamos os pacotes de biscoito que tínhamos, pagamos os cocos que bebemos e, enquanto me despedia delas, me ocorreu que jamais iria esquecer dos olhos daquela criança. Maria e eu voltamos pela trilha até a praia e continuamos com a nossa caminhada até a aldeia que ficava um pouco mais pra frente, já pertinho de Corumbal. Tínhamos conseguido alí na casa de Jandira a água de coco que queríamos, artesanatos e ainda compartilhado um pouco de sua luta pelo tâo suado pâo de cada dia para a numerosa familia que ajudava a sustentar.
Fotos By Maria Therese

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Estava um dias desses escutando uns discos na casa de um amigo enquanto conversávamos sobre um monte de coisas sendo o Turismo e a industrializaçâo do Carnaval duas delas. Por estarmos no condomínio Equitativa, em Santa teresa, tinhamos o Pão de açúcar e a Baía de Guanabara como pano de fundo. Embalados por algumas bossa do Caetano discutíamos os Rumos que as cidades de potencial turístico estavam tomando e, como a maioria delas tem suas festas populares como um dos grandes fatores turísticos, acabamos por discutir os motivos que levaram estas grandes festas (como o Carnaval de salvador) a se tornarem na atual industria do entretenimento. Meu amigo apontava a Band e os produtores Paulista, Cariocas e Mineiros como os grandes incentivadores do Carnaval como um produto a ser comercializado submetendo-o dessa forma à glamourizaçâo do popular suplantando-o. Enquanto substituía a bossa pelo disco transa do caetano afirmava ele ser o turismo também outra máquina a favor da massificação dos costumes e da poluição dos lugares por onde passava. "... na época que Arembepe serviu de base para todo aquele movimento ripie eu estava por lá, eu vivi aquela época, nåo tinha essa coisa de massa que tem hoje, a Bahia vivia outra época... teve um ano que vi o filhos de gandhi sair só com o Gil e mais umas duas dezenas de fuliôes, não era nem de longe no que se transformou hoje o Bloco!.." bradava. Ufa!!Permaneci lá sentado em uma raridade de poltrona setentona somente mastigando seus argumentos , concordava com alguns enquanto outros me instigava a retrucar, foi ótimo!! Volta e meia percebia uma luz diferente acima do pão de açúcar e sobre os barquinhos ancorados na baía, era lindo ver a luz do sol voltando com a passagem das nuvens. "Sou um otimista incorrigível e ao meu ver o turismo em um país como o Brasil é uma consequência", o respondi. "... Não há como negar este imenso potencial natural, folclórico e musical que possuímos. Agimos de forma ingênua, despreparada, inconsequente, não enxergamos o turismo brasileiro como uma importantíssima fonte futura de divisas. Não foi a audiência da Band e nem o papel de agências como a CVC que transformaram os carnavais e as cidades turísticas baianas no sucesso turístico que são hoje. Em algum momento isso iria acontecer, é natural! Existe um mercado turístico e cultural em forte expansão pelo mundo, o que faltou foi ter se antecipado a este fenômeno, preparadando dessa forma as bases deste produto, no caso aqui o turismo, sem que para isso fosse sacrificada, durante o processo, suas raízes culturais. Não podíamos ter permitido que o Axé e o pagode monopolizassem o carnaval sufocando os demais ritmos e empobrecendo o cenário musical. Não ter permitido tambem que a criaçâo de blocos desse continuidade a mais uma forma de segregaçâo, já basta as ínumeras divisôes sociais que temos". Meu brother levantou e foi até a cozinha buscar um pouco de água para lubrificar nossas gargantas já meios secas de tanta teoria gasta. "Quanta demagogia!". Brincávamos. Ele retrucava uma coisa, concordava com outras enquanto eu continuava afirmando que se tívessemos instruído os administradores e a populaçâo local a respeito das vantagens de se promover um turismo limpo, ambientalmente correto, cultural e pedagógico poderíamos entrar de forma justa nesse jogo, sem ter que pra isso submeter a natureza ao homem e permitindo tambem, através da multi polaridade, uma circulaçâo muito maior de informaçôes ligadas a todos os setores culturais...".
O papo poderia entra pela noite se deixássemos, era um assunto que se emaranhava por diversas cadeias produtivas, nem com a discografia completa do Caetano tendo sido escutada chegaríamos a um veredicto. O que acabamos concordando foi que a largada tinha sido dada e as regras deveriam ser rígidas para que não fossem comprometidas as nossas belezas naturais e os milhares de futuros empregos. Da próxima vez vamos tentar escutar alguma coisa mais rock´in roll para ver a quais conclusões chegamos, até lá.

sábado, 11 de abril de 2009

De Jorge Amado à Costa do descobrimento








Como já dizia o ditado: Pé que não anda não toma topadas! Pois bem, depois de alguns meses encapsulado em Santa Teresa o universo parece conspirar a meu favor permitindo-me voltar a Bahia. Oh terrinha abençoada! Teria eu que buscar em diversos dicionários, das línguas mais variadas, adjetivos para tentar descrever aqui todas as maravilhas dessas bandas que tão bem gerou e acolheu os que por ela souberam passar. Rapaz, é muita coisa! Por ter crescido na terra da Gabriela tive eu a oportunidade de vislumbrar desde cedo lugares como Olivença, Lagoa Encantada, Serra Grande, Itacaré, Barra-Grande, Morro de São Paulo... Anos depois, cansado de remar para o norte, segui rumo ao sul e descobri praias ainda mais lindas como as que ficam entre Arraial d ajuda, Trancoso, Caraívas, Ponta do Corumbal... são tantas praias, Rios, Falésias, tipos e cenários que só com caneta e papel na mão para se lembrar depois para contar para os amigos. E olha que estou apenas descrevendo os lugares que conheci, o que não chega a um terço de todo o estado. Esse pé aqui já andou bastante por alguns estados brasileiros e, não querendo aqui desmerecer a beleza de nenhum deles, a Bahia é de uma variedade geográfica e climática tão grande que deixa qualquer um de queixo caído. É como se guardássemos um pouco de cada região do Brasil dentro dessas fronteiras. Se acaso vc fique cansado do barulho das ondas ou do cheiro do mar vá para a Chapada Diamantina e explore suas caminhadas. Pode se habilitar também no sertão ou no planalto e se não demorar muito pode até conhecer um pouco da quase extinta Mata Atlântica e o restinho de índios pataxós, há muito colonizados, que por lá reclamam seu sutento e a sobrevivencia de sua espécie. Mesmo tendo sido e continuar sendo vítima de péssimos administradores, redes hoteleiras, orgâos ambientais ineficientes, exploradores e aproveitadores de todos os calibres e sotaques ainda assim seriam preciso centenas de Dorivais, Joåos e Caetanos para conseguir cantar todas as belezas que ainda resistem nesse lado do mapa. Deixo aqui postado algumas fotos da caminhada de 80 km entre Arraial e Ponta do Corumbal que fiz com Maria, minha namorada, para que os que por aqui passarem tenham a oportunidade de dividir conosco um pouquinho de 4 dos 20 dias que passamos pela Bahia.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Que se foda a GM !!!

Agora me diga você: Por quanto tempo mais iremos continuar contribuindo para a expansão e domínio dessas mega-empresas automobilísticas? Até quando e onde iremos permitir que se continue investindo em um meio de transporte tão pouco coletivo movido por combustíveis causadores de fome e guerras? Quando chegará o dia em que deixaremos de acreditar nas manchetes destes jornais bem pagos que insistem em repetir que somente salvando da falência essas empresas centenárias nosso futuro estará garantido? Pois é, até quando? Acredito não ser fácil entender essa lógica, mas, a longo prazo, empresas como GM, Ford, Wolkswagem, Fiat etc..., com suas super-campanhas publicitárias nos venderam um sonho individualista de um veículo próprio, o moderno segredo do sucesso, andar sob quatro rodas foi alardeado pelos quatro cantos do mundo como uma nova página de nossa história. Realmente outra página foi escrita, deu-se inicio a uma era industrial já mais vista onde a natureza era subordinada pelo homem e via suas veias serem perfuradas para que se fossem removidos delas o combustível dessa nova revolução. Nunca se ganhou e se acumulou tanto dinheiro na história, países foram criados, outros tantos destruídos, e milhares de máquinas foram vendidas pelos quatro cantos do mundo impulsionando assim um sistema que puxava com ele todas as economias tornando-as dependentes, possibilitando-nos chegar ao século 21 com diversas conquistas em todos os campos de pensamento e montados num planeta cada vez mais cinza, de rios cada dia menos potáveis, vitimados por predadores industriais capitalistas, urbanos, magnatas que através das janelas de seus jatinhos e helicópteros particulares vêem o quanto caóticas e poluídas transformaram-se as ruas e avenidas que eles não planejaram. Esses mesmos homens que nunca permitiram aos países, ditos de terceiro mundo, desenvolverem suas economias através da produção e consumo de seus próprios veículos, que juntos com as mega-companhias de petróleo impediram o desenvolvimento de combustíveis alternativos e limpos, esses mesmos corporações que ajudaram a financiar tantas guerras (Basta lembrar-se dos inúmeros conflitos que afligiram as várias regiões do Oriente médio nos últimos 30 anos) só para que seus consumidores não ficassem sem seu cada vez mais vermelho e caro combustíveis e derivados, são os mesmos que, depois de tanta desgraça gratuita oferecida ao planeta, tem a pretensão de anunciar ao mundo a chegada dos bio-combustíveis como a solução ao problema do fim das reservas de petróleo dando inicio assim a uma busca insaciável por terras, antes preservadas ou destinadas a produção de alimentos, para que sejam semeadas com o combustível do futuro aumentando assim catastroficamente a alta nos preços dos alimentos e posteriormente a fome no mundo. Agora me diga você, porque temos que ficar preocupados com a falência dessas empresas? Por causa da perda de alguns milhares de empregos! E as outras bilhares de pessoas que sobram no mundo! Até quando os mais fracos irão ter que sofrer para que veículos cada vez mais luxuosos e perversos ajudem a congestionar e poluir nossas ruas já tão congestionadas e poluídas? Em vista disso os governos se vêem com as mãos e os pés atados devido a uma possível demissão em massa, não conseguem enxergar uma possibilidade para contornar tal situação e deixarem de ser subserviente, oferecendo dessa forma sua gente e suas terras para serem explorados por mais cem anos.

Em vez disso os governantes poderiam propor transporte público de qualidade movido por combustíveis limpos e produzidos legalmente; Construiriam também muito mais ciclovias incentivando assim a prática saudável deste esporte; Obrigatoriamente teriam que investir dobrado em educação de base e nas áreas de tecnologia de nossas tão sucateadas Universidades públicas para que no futuro pudéssemos colher os frutos dessa revolução. Pois eu, Alvo Cabral, quero que essas Mega-empresas sanguessuga causadoras de tantos problemas se fodam e que se fodam com ela todos esses incentivadores de desigualdade e que os governos criem, se for preciso e capazes, frentes de trabalho para que sejam absorvidos esses futuros desempregados. E já que nossos parlamentares se dizem tão preocupados com o futuro das sociedades, que reduzam os seus salários astronômicos para que mais pessoas possam respirar um pouco de ar puro enquanto caminham em suas praças e avenidas sabendo que todos os seus direitos garantidos por lei são respeitados.

Foto: Maria Therese


Foto: Maria Therese