quinta-feira, 28 de maio de 2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Vixe maria!

Tava aqui remexendo uns arquivos e quando me deparei com a foto dessa obscenidade de iguaria baiana fiquei salivando que nem um cachorro enquanto observa o frango girando na maquina de assar. Queria muito pegar uma condução agora e descer lá no posto 12 de Itapoâ, me encontrar com minha amiga Sheila, e ir direto na Cira comer um super Acarajé apimentado com bastante camarão e salada. Hummm. Acreditam que quando eu fecho os olhos consigo sentir até o cheiro do vatapá? Vixe!
Por estar tentando aqui decifrar a autora desse Acarajé acabei sendo tomado por uma dúvida gastronômica cruel: Me encontro dividido entre o Acarajé da Dinha, no Rio vermelho, e o da Cira, em Itapoâ. Bom, quem já teve a oportunidade de provar o acarajé dessas duas baianas e tem a mania de guardar detalhes pode até reconhecê-lo. Deixo aí essa foto para mexer com a imaginação e o estômago de vocês.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Selarón e suas negras grávidas


E no terceiro dia se fez o homem

O que diferenciava Jonas dos demais meninos da comunidade era o fato dele não se sair muito bem em nenhum dos esportes praticados pelos garotos e ter chegado aos 13 anos sem nunca ter beijado uma única garota, tornando-se assim alvo de grande gozação até mesmo por parte dos mais velhos. Todos brincavam, mas não passava disso, brincadeiras. Todos sabiam que foi graças ao Jonas que os dois filhos mais novos da comadre Sebastiana não foram surrados pelos pivetes da rua do sebo. A estória de que, com seu canivete, havia enfrentado sozinho os pivetes para defender seus colegas se espalhou pelo bairro fazendo com que a maioria dos moleques da comunidade o admirasse e respeitasse por isso.
Nas tardes em que não era obrigado pela mãe, zefa, a estudar para as provas da escola, Jonas, junto com Naldinho e Iracildo, seus dois grandes amigos, se enfiava dentro da mata em busca de frutas e aventuras, do cheiro do mato, do gosto doce das águas dos rios que cercavam sua comunidade. Sempre faziam isso quando, depois do almoço, sentiam-se entediados pelo sol da tarde. Era como se a única opção fosse fugir para a mata, descer suas ribanceiras, pegar suas frutas, pescar seus peixes; correr pelas bancadas de areia com a maré seca, meter fundo o braço na lama em busca dos caranguejos que lá se escondiam.
Eram assim, eram meninos homens, cheio de pequenas sabedorias, sabiam das chuvas, dos ventos, conheciam as marés, sabiam quando eram olhados com maldade, a reconheciam a tempo de cuspirem no chão e partirem para briga ou fugirem dela. Conheciam como poucos os buracos da cidade e corriam feito meninos loucos através dos sítios e quintais, pelas trilhas feitas na mata pelos caçadores, pescadores, candomblezeiros. Descobriam os melhores jenipapos, jacas, mangueiras, quase nunca voltavam com as mãos vazias. Mesmo sujeitos às quase sempre severas surras de seus pais nunca desistiam de se aventurar e sentiam-se orgulhosos ao entregar os peixes e caranguejos pegos, tornando-se assim Meninos-Homens, co-responsáveis pela sobrevivência da família.
A maioria das crianças do bairro ou já tinha largado a escola ou nunca a havia frequentado, em vez disso, com cestos nas pequenas cabeças, vendiam pães e temperos pelas ruas do bairro. Muitos deles iam todos os finais de semana para feira da cidade onde podiam ganhar alguns trocados como flanelinha, cometendo pequenos furtos ou transportando os carrinhos de mâo carregados com as compras das senhoras de volta as suas casas. No dia seguinte acordavam cedinho para levarem seus pássaros para foguear no mato, penduravam as gaiolas em alguma cerca ou galho mais baixo e ali permaneciam até o sol ficar mais forte, comentando as aventuras passadas, imitando o canto de alguns pássaros, subindo em árvores como macacos e lagartixas e de lá avistando a cidade na outra margem do rio enquanto sonhavam com os anúncios televisivos que começavam a entrar na maioria dos lares. Não demoraria muito até eles se arriscarem pelo mundo em busca de seus falsos sonhos.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Respeitável público!

No ultimo dia 12 fui convidado por um amigo a assistir um debate, que aconteceria na lona cultural do projeto Crescer e viver, entre o ministro da cultura e representantes de alguns importantes movimentos culturais da cidade. Saímos de Santa e fomos de bicicleta até a praça onze. Chegando lá percebi que a galera estava bem animada com a idéia de se reunir com as autoridades culturais, assinei meu nome numa lista de presença e logo depois passamos a fazer parte da muvuca organizada. Meninos e meninas do projeto Crescer e viver aproveitavam para apresentarem as técnicas circenses que eram desenvolvidas na lona cultural e, misturados a diversos outros atores do picadeiro, emprestavam um tom lúdico ao debate facilitando assim uma maior aproximação dos que por ali passavam.

Estavam presentes no centro do picadeiro o ministro Juca Ferreira, alguns secretários de cultura, representantes da Unesco, Funarte, Alerj, Câmera dos deputados, Câmera dos vereadores e, na parte dos movimentos culturais cariocas, estavam representantes do Teatro de Anônimo, Intrépida Trupe, Crescer e Viver, Off-Sina, As Marias da Graça, Irmãos Brother's, A Cena da Cidade, ONG´s, e diversos circos tradicionais. O debate estava bem equilibrado. De vez em quando um palhaço passava na arquibancada vendendo pipocas e doces variados. Tinha uma barraquinha vendendo algodão doce também, só faltaram as maças do amor. O ministro Juca Ferreira ia respondendo às perguntas e explicando a necessidade do apoio popular para aprovação na mudança da lei Rouanet. "Só assim o Brasil poderia assistir uma democratização na distribuição equitativa das verbas destinada ao setor". Segundo números do IBGE, usados muito bem no evento, mais da metade dos 1,3 Bilhôes do orçamento anual ficam com a região sudeste. 14% dos brasileiros vão ao cinema, 92% nunca entrou em um museu, 93% nunca foi a uma exposição de arte e que 3% dos agentes culturais que tem acesso aos incentivos detém mais da metade de todo o dinheiro. Nas palavras do ministro, “estamos vivendo uma verdadeira apartheid cultural, é um jogo de cartas marcadas! Temos que acabar com esse negócio de que as empresas só investem em projetos que tenham retorno de marketing. Se elas quiserem fazer marketing que façam do seu próprio bolso! O dinheiro da renuncia fiscal é um dinheiro público e tem que ser usado de forma pública, o que está acontecendo é uma privatização do dinheiro público" concluiu Juca ferreira.

A discursâo estava muito boa, achei muito importante a parceria entre o ministério da cultura e o IBGE, fantástica! Fica muito mais fácil produzir um plano nacional dessa forma. Mesmo estando todos muito animados com o encontro não era difícil perceber na plateia a descrença no governo. Do meu lado um grupo de alunos da escola nacional de circo aplaudiram quando se falou em maiores verbas. Logo depois era vez do pessoal do teatro e assim o espetáculo ia chegando ao fim. Depois de me despedir dos conhecidos peguei minha Bike e durante o percusso de volta pra casa nâo me saia da memória a imagem onde as autoridades políticas estavam no picadeiro e os movimentos culturais na política. Nada mal né...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Papo de amigo



Quando criei este blog imaginei poder assim estar dividindo com os amigos e, os que por acaso passassem por aqui, um pouco de meu dia a dia, as músicas que estavam fazendo minha kbça, os assuntos que estavam me interessando, minhas alegrias, angustias. Queria que este espaço substituísse a necessidade de se ter um Orkut ou facebook, matando assim um pouco da vontade de se estar próximo daqueles que gosto, das nossas rodas de bate papo. Uma das mais importantes coisas do mundo são as amizades. Que graça teriam as aventuras, os dramas, os filmes, as músicas, o por do sol... se não existisse alguém para dividir? Para mim seria insuportável. Deve ter sido insuportável para o músico Nick Drake, seu suicídio deve ter sido ocasionado, alêm das super dosagens de anti depressivos, por todo aquele frio e cinzento inverno Londrino, pela agonia de não ser compreendido, pela falta de bons amigos. Diferente de Hendrix, Morisson, Jane, Cobain e outros mais, Drake suicidou-se por não terem compreendido a profundidade de sua obra. Que Pena, poderia ter fugido para o Brasil e casado com uma linda Baiana antes de irem morar juntos na Chapada Diamantina. Todos deviam ter um plano de fulga, se nada der certo eu... O que não faltam são cenários novos.
Com uma bela voz e acompanhado de seu inseparável violão o tímido Drake criou lindas e melancólicas harmonias sendo as dos discos Bryter layter e Pink Moom as que mais tem feito a minha kbça.
Em vez de postar os seus discos prefiro dessa vez lhes informar como encontrar esta e muiiiiiitas outras discografias. Basta vcs irem nesse link http://superdownloads.uol.com.br/download/85/mtorrent-(utorrent)/ e baixarem o softwear utorrent para seu computador. Depois de instalado basta entrar nesse site http://www.mininova.org/ e escrever o nome do que vc está procurando. O mininova é um excelente buscador e disponibiliza um considerável arquivo de musicas, filmes, softwear, livros, imagens, games, antivírus... Acho que é um bom começo, mais pra frente vcs vão acabar encontrando outras referências como os blogs (http://sacundinbenblog.blogspot.com/, http://www.capsuladacultura.com.br/blog/, http://ouro-de-tolo.blogspot.com/, http://ladrolama.blogspot.com/, http://finoelegante.blogspot.com/) e novos buscadores de conteúdo, derrepente cheguem até a criar um blog para disponibilizar, através do http://www.rapidshare.com/, os seus achados. Espero poder assim estar ajudando a ampliar a sua playlist e a democratizar um pouquinho mais o espaço virtual. Como dizia lá em Ilhéus o trio Matheus, Rubinho e Wilfredo: A curiosidade é a grande parada!
Divirtam-se.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Teoria da Libertaçâo.


"A IGREJA MENTE, É CORRUPTA, CRUEL E SEM PIEDADE, Deus não é um objeto, não é uma entidade, é uma suprema paixão, suprema energia, o que os gregos de uma maneira genial disseram e eu gostaria de dizer, porque ela está presente em nossa língua, que é a palavra "entusiasmo". Em grego, entusiasmo significa ente os mos "ter um Deus dentro". Então, todo o entusiasmo é a essência da vida, é a energia que faz a vida viver" (Leonardo Boff).

Pimenta: José Walter Bautista Vidal



Para uma minoria pode até parecer óbvio, repetitivo ou que até mesmo estâo cansados de saber o que esse Físico aposentado anda dizendo por aí. Para mim nunca é pouco repetir palavras como essas, quem sabe assim virem moda e se popularizem pelo país. Com este intuíto disponibilizo aqui um link para a o site da revista Caros Amigos onde se encontra, entre outras, uma das mais esclarecedora entrevista que lí. Nela o Professor Bautista Vidal lança uma luz para aqueles que se interessam pelo país e que se sentem carentes de uma boa explicaçâo acerca dos obstáculos que nos impedem de ser uma grande naçâo. Depois, para os que curtirem o entrevistado, experimentem colocar o nome do Professor Vidal no google e descubram um pouco mais do curriculo desse Baiano.


Revista Caros Amigos-- Você vai sair desta entrevista com a cabeça cheia de interrogações, a par de acachapado. O físico e engenheiro José Walter Bautista Vidal, conhecedor, como pouquíssimos, do chão, da gente, do poder (ele esteve lá) e dos problemas brasileiros, faz afirmações impressionantes. Com números, mostra que o Brasil só não é uma grande potência porque não quer. Que o Brasil está cada vez mais à mercê dos especuladores internacionais porque quer. Que é dependente por escolha dos que o governam. Que a moeda que circula no mundo é falsa, não passa de papel pintado, e os países desenvolvidos estão à beira da falência. Que a era do petróleo — energia que move o mundo — está com os dias contados e eles não têm alternativa a não ser se apropriar das fontes energéticas que a natureza legou a outras nações. E a mais rica delas todas, disparadamente, é o Brasil, "porque foi premiado com um reator a fusão nuclear particular — o sol, que é a grande fonte de todas as formas de energia usadas pelo homem até agora e dentro de bilhões de anos". E o Brasil, como "grande continente tropical do planeta", terá por isso um poder inimaginável, "desde que conte com dirigentes à altura desse papel histórico". Sim, porque o que determina os rumos da história é a política. E esse físico e professor tem a cabeça política.

sábado, 9 de maio de 2009

Fragmentos: O mundo de Helena

Manoel Carlos imortalizou as Helenas através de suas novelas amarradas nos dramas da classe média carioca e, com a desenvoltura de mestre da teledramaturgia que possui, ele ajudou a popularizar o nome e símbolo Helena pelos quatro cantos do Brasil. Saíram do anonimato as Helenas das feiras populares, as que vendiam cosméticos de porta em porta, as que não perdem uma feijoada com samba e uma cervejinha gelada nas tardes quentes das comunidades por onde moram. Näo podemos esquecer tambem das Irmâs Helenas que oram ajoelhadas pelas igrejas desse imenso Brasil. Dona Helena, Leninha, Lucia helena, Lena, as variacôes nâo sâo poucas. Ontem a tarde eu estava no posto 9 da praia de Ipanema e, depois de dar algumas voltas pela praia tentando vender as palhas italianas que ha dois anos comercializo ali, entre os postos 9 e 11, sentei para descansar um pouquinho e curtir o fabuloso final de tarde que estava acontecendo. Fiquei ali sentado por meia hora observando, entre outras coisas, os outros vendedores indo e vindo tentando conquistar o seu tão questionado sustento. A cinco metros de mim uma criança tentava vender seus chicletes para três adolescentes que estavam se bronzeando. Dessa vez a criança não teve muita sorte e quando já ia seguindo para a próxima abordagem eu assobiei para que ela viesse até a mim. Tentei por três, quatro e quando quase já desistindo ela finalmente escutou e, depois de me localizar, veio devagarzinho até mim. “Oi tio, vai querer um chiclete? compra aí pra mim ajudar!". Iniciamos uma conversa e aos poucos ela foi me contando um pouquinho da sua vida.
Seu nome era Helena, tinha 9 anos e não se lembrava desde quando estava vendendo na praia. perguntei se estava sozinha na praia e me respondeu que sim e depois que não, devia estar me estudando, parecia estar acostumada àquelas perguntas. "Minha mãe mora lá na Rio Branco" falava. Eu conheço pouco o Rio e pelo pouco que sei as únicas pessoas que moram na rio Branco dormem na rua. "...ela dobrou duas vezes essa semana”. Perguntada sobre o que fazia com o dinheiro das vendas ela, entre risos, conta que gasta com comida. Peguei uma das minhas palhas de chocolate e lhe ofereci, ela adorou e enquanto lambia os dedos sujos contava-me que gastava quase todo dinheiro que ganhava com biscoitos, ela amava biscoito, e o que sobrava ela dava para a mãe. Mais para frente ela me segredou que tambem amava tomar banho de praia e que sua mãe chamava-se Lucia Helena e que, alem dela, tinha mais um irmão de 11 anos chamado Tiago. Contou-me que antes moravam na Jerusa, ¨nunca ouvi falar de nenhuma comunidade com esse nome" brinquei com ela. Ela sorriu e mudando de assunto me perguntou por quanto eu vendia minhas palhas e quem as fazia. Achou caro quando lhe disse que custavam 2 reais cada, "com dois reais eu compro um pacote de biscoito". Brincava.

Ficamos ali por uns 40 minutos conversando sobre um monte de coisa e quando perguntada sobre o pai e a escola ela sempre fugia do assunto e falava sobre outras coisas. No final nos despedimos e continuamos na praia tentando vender os nossos doces. Helena ta sempre por lá junto com muitas outras crianças, muitas delas mais nova que ela, torcendo para vender seus chicletes de 1 real e para que outro "Gringo", como ela mesma costuma repetir, lhe dê 30 reais como no dia anterior. Pobre Helena, será que já ouviu falar em Manoel Carlos?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Zietgiest; Addendum


Os poucos que me conhecem sabem do meu gosto por teorias da conspiração e a minha crença em outras respostas. Pois mês passado meu brother Daniel Ernesto, mais conhecido por Chicho chochin, me passou esta super película que andou pertubando o sono de muita gente por onde passou. Não resistindo à vontade de dividir esta teoria com mais pessoas posto abaixo um link do youtube onde contem 12 partes legendadas deste documentário que tem causado o maior frisson no mundo dos apaixonados por teorias. “Zeitgeist: Addendum” é a prova de que o que separa os mundos paralelos é somente a versão dada a cada história. Divirtam-se e morram de raiva com o jogo daqueles que acreditam serem os donos da verdade.

http://www.youtube.com/view_play_list?p=3636496CF2812BB2&search_query=zeitgeist

Site Oficial
http://www.zeitgeistmovie.com/

Fragmentos

Um dia desses estava esperando o bondinho para subir Santa Teresa quando percebi três garotos, entre aproximadamente 09 e 12 anos, sentados num cantinho do abrigo. Eles estavam descalços e as poucas roupas que vestiam denunciavam o total abandono a que se encontravam. Enquanto cochichavam alternavam momentos de lucidez com loucura e, da ponta do lençol que um deles trazia enrolado ao corpo, inalavam um pouco mais do mundo mágico proporcionado pela cola de sapateiro, droga comum entre os moradores de rua. Em alguns momentos um deles levantava e apontava para algo que só para sua imaginação existia, às vezes dava socos no ar, conversava e dava risada, depois se entristecia voltando a sentar-se com os demais para inalar um pouco mais daquela alegria fugaz. Fiquei do meu cantinho observando-os por meia hora enquanto constatava a existência de mundos paralelos; As pessoas que, assim como eu, também estavam esperando o bonde, não se incomodavam com a situação, olhavam para as crianças e através delas. Aquilo já fazia parte do cotidiano da maioria deles, acreditavam nada poder fazer e aos poucos iam transformando estes sobreviventes em figuras invisíveis, perceptíveis somente aos olhos, mas não ao coração.
Assisti há algum tempo um documentário chamado Janelas da Alma onde, entre outros narradores, José Saramago chamava a atenção para as maneiras como o mundo se apresenta ao individuo. Ele explicava que os olhos eram janelas da Alma e que existia uma diferença muito grande entre Ver e Enxergar. Enquanto via-se com os olhos enxergava-se com o coração...
No momento em que estava lembrando dessa passagem novamente outro dos meninos levantou-se e, olhando para os cabos elétricos que conduzem o bonde, os apontava repetindo que estes se mexiam. Eu já não sabia, devido a tamanha convicção com que este insistia, se era pelo efeito da cola ou se era verdade. Então demorei os olhos por alguns segundos nos cabos e acabei percebendo que estes, quase imperceptivelmente, se mexiam. Seria eu que estava vendo coisas agora? Um minuto depois escutei o bonde aproximando-se. Os meninos aprenderam a identificá-lo a quase 1 km de distancia. Tendo finalmente chegado ao ponto o bonde parou e em meio aos que subiam e desciam dele os três novos passageiros procuravam as melhores posiçôes para fazer a pequena viajem por cima dos Arcos da Lapa até a estação carioca. E assim o Bonde partiu lotado de turistas e moradores, entre desconfiados e piedosos, e alguns metros depois ainda escutava-se o sorriso dos três novos tripulantes em meio aos flashs das câmeras fotográficas daqueles que muito viam, mas pouco enxergavam.

domingo, 3 de maio de 2009

Billie Holliday: Remixed and Reimagined


Para encerrar a sessão remixes desta temporada disponibilizo agora o álbum Remixed and Reimagined. Este disco serve muito bem para os que sempre acharam que Amy Winehouse tinha sido a precursora de um estilo e estava no topo da lista das grande jazzistas. Divirtam-se com a voz e o estilo de Billie Holliday trazida para os tempos atuais através do bom gosto de alguns músicos.



http://rapidshare.com/files/228906401/Billie_Holiday_-_Remixed___Reimagined__2007___192kb_.rar.htmlMD5: 159995BB41971A09623B20838CBFCA8D

Uma homenagem às nossas emissoras que tanto deserviço tem nos prestado.



Imagem retirada do blog Atuleirus.weblog.com

Ulysses: Frans Ferdinand Remixes





Como havia prometido anteriormente disponibilizo aqui agora esse disco Remix do Frans Ferdinand. Em seu terceiro álbum a banda escocesa liderada pelo vocalista Alex Kapranos sempre fez bom uso de instrumentos eletrônicos e nessa remixagem postada aqui fica ainda mais claro a vibe dançante do grupo, divirtam-se.




Em busca dos sonhos



Há muito que queria aqui escrever alguma coisa relacionada ao surf, esporte que, com muito pouca desenvoltura, pratiquei por longos cinco anos de minha vida. Quando tento me recordar da primeira vez que tomei um banho de praia me vem logo à memória algumas fotos junto com meu primo Flávio e minha mãe Dona Bete. Eu e ela havíamos acabado de chegar de são Paulo e até aquela data eu devia conhecer praia somente por filmes ou desenhos animados. Aquela ida a ilhéus foi tão importante que acabou comprometendo a minha volta à Sampa e toda a minha história. Naquele verão Dona Bete voltou sozinha para a capital e alguns meses depois eu completaria seis anos. Meus avôs, tios e primos me receberam com muito amor e sempre que possível com algum deles eu ia até a praia. Dois anos depois minha mãe voltou e junto com a família que mais tarde formamos praias desertas e pescarias passariam a fazer parte de nossas rotinas. Freqüentávamos as areias mais desertas de ilhéus, era o máximo, muitas das vezes que lá estávamos a chuva me presenteva com sua presença, sempre amei estar na água quando estava chuvendo, nunca consegui traduzir em palavras esta sensação, era como se naquele momento tudo estivesse conectado, terra, agua o ar. Era mágico.
Em uma dessas pescarias me enganei quanto a profundidade e se não fosse por um surfista e sua prancha talvez eu tivesse morrido. Ele me colocou em cima de sua prancha e me levou até minha mãe e meu padrasto. Nunca vou me esquecer deste dia, me sentir flutuando sobre a água mudou profundamente a minha relação com a vida e com o mundo, daquele dia em diante as ondas passariam a ser objeto de busca dos meus olhos curiosos. Passado um tempo me juntei com alguns amigos da comunidade onde morava e depois de, escondidos de nossos pais, ter-mos pego uma carona numa caçamba, chegamos até uma praia onde o surf era a bola da vez. Continuei frequentando a praia do Marciano durante anos. Quatro anos depois, agora com 16 anos, comprei minha primeira prancha e me aventurei nas ondas do havaizinho (Um dos melhores picos de surf que já surfei). Lembro de minha primeira onda no retâo e de minha primeira parede numa onda muito longa na praia do São Miguel. Fiz diversos amigos no meio do surf e passei a frequentar as ondas maiores das praias do norte da cidade. Podia chover, trovejar que eu estava lá! Esse era meu lema. Passava na casa de Alan baratinha ou na de Fábio marques e com nossas bicicletas arapongas mutantes pegávamos o rumo do norte e lá permanecíamos boa parte do dia, na maioria das vezes à base de pão, tubaína e muitas ondas. O melhor de tudo era estar dentro do mar com os amigos, não tinha graça surfar sozinho, precisava de um cúmplice para as desastradas manobras. Nesse período conheci Fabio e Dennis Tihara e logo nos tornamos parceiros das melhores aventuras de surf. Dona Toshico, sua Mãe, sempre me convidava para almoçar com eles me permitindo assim fazer o surf no final da tarde. De nossa galera o que mais surfava era o Dennis, o mais novo, o muleque espancava as ondas, sempre quebrava nos free surf e não demoraria muito a se consagrar na cidade, no estado e logo em seguida, no Brasil. Enquanto estávamos surfando nas ondas ilheenses e descutindo as mil e uma direcôes que os filmes de surf poderiam tomar, ele já estava embarcando para vários picos nacionais e, para a nossa alegria e para consagrar a sua saga, acabaria sendo convidado junto com outras promessas do surf brasileiro para fazer uma temporada no Havaí, Meca do surf.
Ele sempre foi o que mais continha o espírito do surf, amava fazer o que fazia e lutava com toda sua garra na tentativa de entrar para a primeira divisão do surf mundial. Ficávamos todos muito felizes quando o víamos dando entrevistas tanto para TV, rádios e revistas especializadas, era como se nossa galera estivesse sendo alí representada. Dennis passou bons anos no surf, conseguiu bons patrocínios, fez diversas surf trips, foi feliz e nós também, afinal ele era todos nós. O surf, como em qualquer esporte, exige resultados e a pressão dos patrocinadores se faz presente nas ameaças de finalização de contratos. Dessa forma muito bons atletas acabam entrando em fases ruins comprometendo assim todos os seus sonhos, esse foi o caso dele. Devido a pressão para que se tornasse o tão esperado super atleta e à falta de boas condições de surf ele foi aos poucos perdendo suas vantagens não demorando muito a se encontrar sem patrocínios. Dalí em diante teve que se esforçar muito para se reencontrar em seu mundo, não deve ter sido fácil. Dona Toshico foi importantíssima nesse processo, nunca deixou de acreditar nos sonhos do filho, o apoiando com muito amor e muitas vezes até mesmo se endividando para patrociná-lo em algumas competições. Com muita perseverança, e tambem depois de ter trabalhado junto com sua mâe por um ano no Japão, Dennis Tihara juntou forcas e dinheiro para embarcar para o Hawai, lugar onde se encontra a quatro meses surfando e se preparando para voltar à elite do surf brasileiro, lugar que para muitos ele nunca saiu. Do Hawai ele já engatou viajem para o Tahiti e de lá registrou os finais de tarde mais lindos que já vi, deve ter sido momentos como esses que o fizeram olhar para dentro de si e encontrar forcas para continuar lutando. Boa sorte meu brother. Boa sorte em sua caminhada. A sua luta acaba sendo a luta de toda criança que tem um sonho e o quer muito realizar. Estaremos aqui torcendo para que vc se encontre em sua busca, um grande abraço desse parceiro aqui para voce e para toda os amigos que fizemos através do surf. Aloha

Vou deixar aqui o link para o Blog do Dennis Tihara para que vcs possam acompanhar as estórias de suas surf trips podendo assim entrar um pouquinho mais no cotidiano desse atleta pelos lugares paradisíacos que ele vai conhecendo pelo mundo.